Mostrando postagens com marcador Solidão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Solidão. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 4 de março de 2013

O Amor que Dança e Movimenta.

Hotel Fazenda Vale das Grutas - 07/09/2012

Também me pergunto se aquele inefável sentimento
se ajusta a vida,
se ele gira,
se é capaz de dançar...

Dizem que é eterno e imutável,
que nunca se engana
e que corrige vazios.

Mas findado assim em palavra
será mesmo capaz de abraçar?

Necessito de mais poesia,
do colorido nos olhos
em cada fio de cabelo.

domingo, 20 de novembro de 2011

Monólogo Sobre o Amor

The Garden of Love (Improvisation Number 27), 1912 - Kandinsky

Desde Gabriela o amor vive me pregando peças. Chega me prometendo o céu e depois me tira o chão.
Ai! Como eu me via naquele olhar. Era a primeira vez que eu esbarrava naqueles mistérios. Que as palavras eram mudas e o silêncio, reconfortante.
Me parece inocência quando lembro do medo e das incertezas de um futuro tão imenso. Do contrário, haviam duendes e fadas, pois nesse tempo a magia era forte.
E foi então que questionei o amor e na sua ausência de sentido começou a se vingar de mim por tal feito.
Eu que via tanta coisa errada no modelo convencional de laços, achava que era capaz de lutar contra ele e mostrar que não precisa ser assim. Tudo bem, não quero ceder meu olhar e enxergar da maneira como os outros vêm, mas eis o desafio, como descobrir ou explicar meu olhar?
Em poucas palavras o que penso é:
Os relacionamentos deviam perdurar começos.
Não devíamos nos preocupar em estar com alguém.
A experiência que obtemos em todas as habilidades que podemos desenvolver tem valor maior do que qualquer pessoa. 
Viemos sozinhos ao mundo e sozinhos retornaremos.
A vida é única e não devemos esperar nada além desta.
Quando pais, devemos criar nossos filhos para serem independentes. Devem conhecer a solidão e a complexidade dos laços desde cedo.

Agora misture todas em um único pensamento.

Estrada para a represa Broa - São Carlos, SP

Todo começo é bom por que tem mistérios. Temos aquelas leves impressões e procuramos saciá-las. Nessa fase tudo é tolerável, nenhuma felicidade depende da outra e a segurança de ambos é como uma áurea cintilante. Com Gabriela foi assim e por isso eu penso que foi o laço mais pleno. O medo nos separou. Pois ainda éramos jovens de mais para amar.

Então me isolei e continuei refletindo até chegar Mariana. Ela me mostrou um amor maduro e me fez rir das inquietações de um adolescente. Com ela não tinha horários nem permissões. As escolhas partiam só de nós dois. Interessante não é? Isso segue meus princípios de não ter que dar satisfação à mais ninguém além de sua companhia. Não sei por que não me deixei cativar. Na verdade, nem pensei muito nisso... e mais uma vez estava só.

Foi então que comecei a dançar. O amor que oscila deve seguir algum ritmo, quem sabe aprendo seus passos, pensava comigo. E dançando conheci Emanuelle que estranhava meus pensamentos. Quis me curar, mostrar que as coisas são simples e que basta o deixar-se levar. Mas sabe qual é uma das principais  confusões que as pessoas fazem? Acham que precisam preencher um certo vazio. Que somos metade e que só existe prazer a dois. Então você vai me dizer que isso faz parte da natureza? Vai  citar Schopenhauer referindo-se ao nosso intuito de perpetuar a espécie? Que quando olhamos para o outro gênero estamos induzindo nossa prole? Pois bem, nossa espécie não é a única e nem a mais sábia delas. Tanto que nem seremos capazes de destruir a terra, mas sim nossa própria espécie. Por que em alguns milhões de anos a terra estará novinha em folha, desde que não exista pragas com forças contrárias ao meio.

Bosque dos Jequitibás - Campinas, SP
Bom, com Emanuelle também não deu certo... E depois disso até tentei evitar um novo laço. Mas, Hosana surgiu e mesmo eu dizendo, "não goste de mim" (achando que poderia funcionar), "o fim" não deixou de ser trágico. Inclusive tenho problemas com isso. Tenho algumas atitudes equivocadas devido a uma certa expectativa de ser mais claro. Infelizmente ainda não somos capazes de nos comunicar usando sinais de pensamento. Eu imagino que essa lacuna são como aqueles sentimentos sem nome. Sabe? Daqueles que surgem do nada mesmo sem ser em tardes de domingo. Não temos ainda condições de explicá-los mas é sim, sentimento sem nome, ou vai me dizer que você é capaz de nomear todos? Tem certeza que só existe triste, contente, confuso e saudade? O que você acha? as palavras são um limite ou não são?
E voltando a falar de Hosana... Com ela descobri um prazer jubilatório se esgueirado em minhas fraquezas.  Nas dificuldades, pensava sobre a aguces que a sensibilidade desperta nos olhares, pois sem ela há certas coisas que nunca poderemos enxergar ou compreender. Tornemo-nos duros mas nunca insensíveis.

Relacionei os valores que temos com aquela necessidade de "achar a tampa da panela" e pensei. Bom, já que é pra buscar alguém (algo que não concordo) por onde devo andar? Num bar? ou olhando em latas de lixo? Quem tem mais valor?

(Será que aqui tem pessoas interessantes?) 
Missionários do Blues - SESC in Blues, Ribeirão Preto - SP
(Ou essa opção é melhor?)
Tusca 2010 - São Carlos, SP
Me parece só uma questão de valores os lugares que frequentamos.

Continua...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sobre a Coragem

Le Lanceur De Couteaux - Henri Matisse (1943)

A menina encarou o enfrentar-se pedindo dois copos de júbilo efêmero. Chegar à constância era tão simples e mesmo assim ela não entendia por que o abismo sempre continuava olhando-a na manhã seguinte. Ao chegar no banheiro, o espelho apontou por onde começar enquanto ela ajeitava seus cabelos. Descuidou-se e chorou por uns instantes.

Noite à dentro flertou com o vazio, mas seus amigos estavam lá para protegê-la, levando-a para pensamentos tão sublimes quanto distantes, breves. E era somente no dançar que a voz surgia e a menina percebia que um sentimento estranho sincronizava com seu ritmo. Porém, descuidou-se novamente.

Num subterfúgio, apaixonou-se loucamente pela liberdade que conquistara, valorizando tudo o que lhe tira de seu eu e da clareza de suas fraquezas. Penso comigo que desse mar não surge estrelas e o que resta é só o fosco brilho das sombras projetadas em uma calmaria de domingo.

Mas se ela se superar e aceitar o caos que existe em nós, começará a entender o vento nas copas. E a partir de então, confrontará o desafio, pois quando estiver gozando símbolos e contemplando abraços em noites frias o demônio lhe surgirá como num sonho, perguntando:

- Serás capaz de viver sem isso?

E olhando o desgaste de cada símbolo, de cada palavra e de cada sinal deixado na areia a verdade lhe repousará e todos seus valores sucumbirão na alma. Coragem! Grita o demônio que ainda a contempla, porque nada é para sempre e a faca que separa os laços é suave.

Então, quando o sabor dessa tragédia adoçar seu ritmo, deseje tudo de novo.
Só assim perdurará seu sorriso.

domingo, 20 de março de 2011

Sobre a Família

Tartarugas no Bosque dos Jequitibás - Campinas, SP (20/03/2011)

Minha mãe me deu caráter, meu pai respeito e a vida me deu vontade. Acima de qualquer visão que mostre conquistas, desafios, a busca por ideais, cujo umbigo vale mais que qualquer minuto de silêncio, fui educado para ser só...

E experimentava as minhas fraquezas dez vezes por dia e dez vezes por dia tive que lutar. No caminho, não havia elevadores com TV e o que me restava eram longas escadas. Não me esqueço dos amigos que diziam por quais degraus subir. Ouvi cada intuição e escolhi por onde pisar.

E pratiquei o desapego, por enfrentar duras verdades.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Dias Vãos em Tardes sem Fim

Palácio Quitandinha - Petrópolis, RJ (06/01/11)

Não me repousa mais a falta.
Te traio com versos que já não são teus.
Sozinho, o coração exalta.
Desabota suspiros nesse seio meu.

O laço frouxo sufoca.
E o olhar é tão fosco.
Entre meus dedos,
um sentimento do tamanho do mundo.
Não posso tocá-lo.

Se faço jus ao desejo.
No seu corpo entrelaçar.
Na noite devo fugir,
pra nunca mais retornar.

Acordei com mentiras dormindo ao meu lado.
Serena, fustiga, fico calado.
Quando restaura, me acolhe junto ao lar.
Tão bela é a solidão.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Um vão na Noite em dia de Chuva

Aos Redores de Sta Rita de Caldas - MG (Após um leite de vaca) - (30/07/2010)

Na chuva haviam gotas pesadas de tristeza que inundavam toda a minha espectativa de rever aquelas amigáveis faces. O vento assoprando as copas das árvores perguntava: Onde estão seus amigos? E por que as nuvens choram?
Para cada resposta o silêncio. E a solidão que é amiga, também me esmagava o brilho nos olhos. Me tirava a força de estar em si, que alimenta o vir-a-ser e que é tão sagrada.

Com a chuva ainda restaram saudades. E o fastio que ficou, me engasgava como uma negra serperte intalada na garganta. Já não quero pensar no orgulho dos homens, recorrerei a enxurrada e deixarei levar com ela esse amargo vazio.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Beijo Tácito


Odalisca com calça vermelha - Matisse (Pinacoteca de São Paulo - 23/10/09)

O fruto teve princípio no retiro.
Manifestou-se doce ao olhar alheio.
Rupturas o tornou claro
e as quimeras lhe trouxeram anseio.

Parcas coxas entre desejos,
emaranharam seus cabelos.
E o indício do suspiro breve
tilintaram bodas nos seus dedos.

O brado canto da sereia,
evoca a sensação vadia.
No amargo beijo da volúpia
de júbilo verteu-se vazia.


terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sobre os caminhos que trilhamos

Toque toque pequeno, São Sebastião - SP (11/10/2010)

Será mesmo o superar-se mais forte do que qualquer amor? Reflexos desse último, ao que parece, me cessam o movimento e me impedem de acompanhar o ritmo da vida.

Vejo dois caminhos distintos que somente em desejos se cruzam. A solidão sim, é sempre companheira e nem por isso, triste é meu ser.

Cada escolha traz consigo uma fé. E a verdade paira sobre a certeza dos homens.
Só, viverei buscando momentos e para cada instante preservarei uma sensação. Serão como infinitos paraísos.

Sigo ainda com esperanças. Esperança de que um dia nos comuniquemos por olhares, pois cada palavra é um abismo de suposições. E a sua beleza será então a minha sintonia.

Oscilo entre as veredas de cada sinal deixado na areia. Onde chegarei? Somente o percurso é sensato. Me transforma a cada passo em direção a mim mesmo.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Um poeminha de nada

Museu da Língua Portugues - São Paulo, SP (23/10/2009)

O segredo é não ter pressa, deixe que a distância, o vazio e a magia da ausência cumpram seus encargos. Enquanto isso leia um livro, olhe os pássaros... pense nas dúvidas que surgem durante a solidão.

Noite após dia o tempo passa e então, acariciando a relva, eis que surge o vento. Pode ser que esse venha acompanhado de um luar porém, o mais provável é a companhia de uma música soando longe. Repare nos bambus.

A falta não é triste. Não precisa de verdade nem de compreensão.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sentimento Sem Nome

Balancement - Kandinsky

E quando surge este sentimento sem nome? Que aproveitando do meu vir a ser, se esgueira por detrás da tarde e toca a estrutura feita de cada parte desse seu jeito. Anônimo, se encosta no meu peito e susurra pensamentos incômodos. Nem a solidão, que é plena, consegue distinguí-lo. Clama uma mão estendida e pede auxílio às carícias.

Já o chamei de saudade
medo e até mesmo solidão
porém, não me deu atenção
e despresou o que mediquei.

Agora, vou lhe observando de lado
no escuro, um pouco afastado
conversando com os demais
e me informando sobre sua sina.

Então, lhe atacarei veemente
num dia claro
lhe olhando de frente
mas sei, retornarás ainda.

domingo, 2 de agosto de 2009

Solidão e Amor

Espetáculo "A Dança" - Teatro da Urca, Poços de Caldas - MG (25/07/2009)

Hoje falo da solidão e de sua plenitude. De seus peculiares momentos e sensações. Dos prazeres e desprazeres que somente ela oferece. Duas pessoas não são capazes de senti-la nesta forma em que impulsiona. Sentem em sua forma medíocre, que quando em presença a companhia é vazia. Falo da felicidade desacompanhada, livre de laços e apegos. Sempre disposta e preparada para vislumbrar o sublime.
Mas hei que irei falar de Amor. Deste que é só entre duas pessoas. Que deixa a solidão de lado por mais que seja plena, pois sua força é bem maior. Sendo incapaz de senti-lo, restrinjo minhas palavras aqui. Meu receio é não ser poeta.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Solidão da Alma

The French Window at Nice - Matisse

Hoje a solidão tem um peso maior mesmo eu tendo pessoas ao meu lado. Solidão essa inexplicável, que me conduz ao vazio em mim mesmo. Existirá solidão da alma? onde as questões de espaço e tempo não têm sentido? Pois não seria a diferença entre a solidão (essa que conhecemos) e uma companhia apenas o intervalo de tempo entre um momento e outro?
Note que nem o espaço necessita ser considerado, pois podemos estar em um mesmo lugar acompanhados ou não, porém com dois instantes distintos. E quando esta questão de tempo é desprezível? existirá a solidão por si mesma, sem a necessidade de ser a falta de alguém?

sábado, 27 de junho de 2009

A plenitude da solidão

Blue Nude - Matisse

Conversando comigo me perguntei - De onde vêm suas palavras? Que máquina ou ser incognoscível te impulsiona a proferi-las? Se elas sempre estiveram com você por que só agora às revelam? - Sob uma perspectiva mais sistemática eu diria que são questões complexas e que devem ser deixadas de lado, mas observando meu íntimo, digo que a grande causadora é a solidão.
A solidão é sempre vista como sinônimo de tristeza, mas vivenciando-a tenho outra perspectiva. Ela impulsiona. Quem contar minha história dirá que fui mal amado e que não tive outra escolha, mas como eu mesmo posso contá-la, digo que tive (e terei) grandes amores, porém não por isso, vou deixar de "amar a nossa falta mesma de amor". Acho correto pensar que só serei feliz com alguém, quando for feliz comigo mesmo e como ser feliz consigo mesmo sem aprender a conviver com a solidão?
Aliada ao perfecionismo e
à expectativa de afeto, a inspiração para a escrita surge como o vento, sem origem certa mas perceptível ao comprazer da pele.