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sábado, 8 de dezembro de 2012

Aquele Olhar

Black Scketch - Matisse

Do inesperado fez-se o acalanto
e o silêncio numa espécie de encanto
deu aos olhos o seu dançar.
Que sem palavras conversavam,
sorriam e se tocavam,
desprovidos do julgar.

Da ausência de símbolos surge o beijo,
que aflorado em desejo,
fustiga meu juizo.
Já não sou são, vão ou triste,
ilusão se quer existe
e ainda assim não estou perdido.

A pele convidativa,
o suor desconcertante,
o cheiro charmoso
e um mistério intrigante.

A silhueta do corpo
me tornando sujeito.
De cabelo emaralhado,
nos olhos me deleito.

Convivo com todas elas,
sussurando-as tão belas,
cheias de cores e alegria.
Mas nem dispondo-as assim explico.
Ai de mim se mistifico
que aquele olhar é poesia.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Dias Vãos em Tardes sem Fim

Palácio Quitandinha - Petrópolis, RJ (06/01/11)

Não me repousa mais a falta.
Te traio com versos que já não são teus.
Sozinho, o coração exalta.
Desabota suspiros nesse seio meu.

O laço frouxo sufoca.
E o olhar é tão fosco.
Entre meus dedos,
um sentimento do tamanho do mundo.
Não posso tocá-lo.

Se faço jus ao desejo.
No seu corpo entrelaçar.
Na noite devo fugir,
pra nunca mais retornar.

Acordei com mentiras dormindo ao meu lado.
Serena, fustiga, fico calado.
Quando restaura, me acolhe junto ao lar.
Tão bela é a solidão.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Beijo Tácito


Odalisca com calça vermelha - Matisse (Pinacoteca de São Paulo - 23/10/09)

O fruto teve princípio no retiro.
Manifestou-se doce ao olhar alheio.
Rupturas o tornou claro
e as quimeras lhe trouxeram anseio.

Parcas coxas entre desejos,
emaranharam seus cabelos.
E o indício do suspiro breve
tilintaram bodas nos seus dedos.

O brado canto da sereia,
evoca a sensação vadia.
No amargo beijo da volúpia
de júbilo verteu-se vazia.


terça-feira, 1 de setembro de 2009

A Arte de Conversar

Cachoeira das Almas, Floresta da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ (19/07/09)

Cada pensamento é um símbolo e cada símbolo é um som, uma flecha ou uma carícia. Quando vacilam no espaço multiplicam anseios e quando sopram, galgadando montanhas, esculpem pedras maltratadas, polindo nelas parcas formas de esperança.
Fogosas ao céu da boca as palavras iluminam dez enganos, um motivo pelo qual acende vontades com potência. Mas nem tudo deve ser dito, quem contempla o som deve estar preparado, pois ora entende os segredos, ora o lugar não tem o tempo certo. Prudente, guardarás na ponta da língua cada desejo, e então os encaixarás como desígnos no espaço.
Ao declarar seus pensamentos o ser transfigurado sorri, balbuciando persuasivos gestos simples. Sem mais nem menos se seduz em proporções. Não faz nenhum esforço.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

As Ondas e o Castelo

Praia de Copacabana - Rio de Janeiro, RJ (18/07/09)

Arrojei obesas lembranças, mas coloquei em ordem a descrição do que senti. Preferi, e foi mais fácil, falar de outrem, não sendo capaz de falar de mim. Invejei as crianças e seus castelos, pois não têm medo das ondas que estão por vir. Não se preocupam com a labuta em dias de sol mas se ocupam, entorpecendo-se de fantasias. E se no fim da tarde as ondas não virem, põem à baixo o que será a conquista de um novo dia. É sutil a segurança em um mar desconhecido. É assim como o balanço de cegos desejos ou a correnteza te levando comigo.