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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A Galáxia Internet

Observatório - São Carlos - SP

Tinha em mente a distância e o sentimento que sufoca quando fez prover aos dedos a noção de uma palavra. E a palavra se fez sinais, luz e depois sinais.
Em meio tempo era outro espaço, outro corpo, mas o sentimento era idêntico e os sinais tornaram-se a palavra.
Eis que então riam pra ela e caçoavam a linguagem, indagando: Que símbolo és tu dentro do meu peito? Hei de existir somente a dois.
E baldados por emoções intransitivas ao meio, enfrentavam o superar-se. Suspirando euforias num findar de anseios.
Não cultivavam verdades, evitando os perigos em palavras restritas, mas exaltavam as singelas sensações em momentos de carícias.
Determinante era a esperança ao resplandecer dos olhos, que sussurrando sonhos brilhavam. Conectados em coragem.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Aguardando as Palavras

Abscissa poética (Poesias de Drummond declamadas) - Praça Pedro Sanches, Poços de Caldas - MG (24/07/09)

Já me perguntaram, e já me questionei, se eu escolhi e estou no "caminho certo" de minha carreira. Dizem que Computação não tem muito haver comigo e que meus olhos brilham quando falo de Filosofia. Que tenho facilidade com as palavras e que já é hora de eu escrever um livro. Conhecendo meus limites, sei que tenho muito o que aprender neste mundo das letras e que não é tão simples assim escrever um texto claro. Tudo bem que meu contato com esses novos conhecimentos tenha se intensificado nesse último ano e que o simples prazer já é motivação de aperfeiçoamento, mas ainda penso que usufruo dessa habilidade como forma de equilíbrio.
Como não tendo TV, tenho que me ocupar com outras coisas (não pense que é fazendo filhos) e já que fico muito envolvido nesse raciocínio mais 'exato' (e incerto), busco alternativas de fuga. Uma dessas alternativas são as letras. Não às uso só na escrita, por que é mais gostoso ler do que escrever e aprimorando este aspecto me vem a faculdade de sentir, pois pra mim não é preciso apenas saber organizar as palavras, mas sim ter sensibilidade pra lê-las.
Uso a razão como forma de me propiciar prazer. É ela quem sistematiza, planeja, gerencia e analisa mas é só pelas sensações que vivo.

Veio a noite, a lua e as estrelas
E eu, aguardando as palavras
Idéias eram sem fim,
mas as sensações eram rasas

Saí e olhei pro céu
E encontrei a mais brilhante
Li que era Eu
E senti o carinho das restantes

Foi então que as palavras chegaram...

quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Poeta

Escultura de Drummod - Rio, Copacabana - RJ

Sentando no banco olhando o caminhar das moças estava o poeta. Suas palavras cruzavam a distância, os momentos, os lugares e o tempo e por isso chegavam até mim, que seguindo seu conselho ali estava, à conviver com meus poemas. Já faziam alguns dias desde quando eu havia penetrado surdamente no reino das palavras, mas frente a todo seu esplendor, engatinhava sob suas mil faces secretas.
Entrei algumas vezes no mar, caminhei sobre escorregadias pedras enquanto subia as montanhas, me deslumbrei com cidades vistas do alto e também com o corpo das mulheres. Estive ainda em acalentadoras conversas, oras com amigos oras comigo, sempre à observar o mistério dos símbolos. O que escrevi já não sei, já não sou. Pra onde irei já não vim. Transfigurado... nem mais homem, nem mais animal, um ser que sorri.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Contemplando a vida e organizando as palavras

Fall of Icarus - Matisse

E essas coisas que dizem os poetas? Seriam eles capazes de enxergar o que há de trás do sublime? Ou seriam meros contempladores da vida organizando as palavras?

É hora de encarar as transfigurações do ser
e perceber a verdadeira forma de viver
Olho para ela e vejo a arte, o vir a ser constante.
Que me envolve e me anima, movimentando meu instante.
Vou de braços dados, me envolvendo veemente.
Ela despojada de conceitos se confunde, manando toda sorridente.

E assim seguimos juntos, oscilando em harmonia.
Não levando a sério as palavras, mas sim as estrelas de cada dia.
Me dê a mão e vem conosco, valorizando a simplicidade.
Ouvindo calmo o silêncio, sob o transpor de um olhar suave.

Nem só de pensamentos essa arte deve ser mantida.
Essa obra da qual falo não é outra se não A Vida.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Como é que se diz eu te amo

Upwards - kandinsky

Eu neste meu silêncio comunico sem palavras. São poucos os que entendem e dão atenção aos gestos, sem a necessidade de apenas se satisfazerem com o código da linguagem. Valorizar as palavras mais do que as atitudes é o mesmo que projetar algo além de si mesmo. Escolhemos o "Eu te amo" como o melhor findar e não observamos as transformações eloqüentes que o idealismo não é capaz de suportar.

sábado, 27 de junho de 2009

A plenitude da solidão

Blue Nude - Matisse

Conversando comigo me perguntei - De onde vêm suas palavras? Que máquina ou ser incognoscível te impulsiona a proferi-las? Se elas sempre estiveram com você por que só agora às revelam? - Sob uma perspectiva mais sistemática eu diria que são questões complexas e que devem ser deixadas de lado, mas observando meu íntimo, digo que a grande causadora é a solidão.
A solidão é sempre vista como sinônimo de tristeza, mas vivenciando-a tenho outra perspectiva. Ela impulsiona. Quem contar minha história dirá que fui mal amado e que não tive outra escolha, mas como eu mesmo posso contá-la, digo que tive (e terei) grandes amores, porém não por isso, vou deixar de "amar a nossa falta mesma de amor". Acho correto pensar que só serei feliz com alguém, quando for feliz comigo mesmo e como ser feliz consigo mesmo sem aprender a conviver com a solidão?
Aliada ao perfecionismo e
à expectativa de afeto, a inspiração para a escrita surge como o vento, sem origem certa mas perceptível ao comprazer da pele.