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quinta-feira, 28 de março de 2013

Imprescindível olhar

The Strana Forandola - Henri Matisse (1938)

É com nosso singelo e idôneo corpo
que atuamos no espetáculo do mundo.
Com ele também navegamos
pelo balanço das sensações.
Sejam em dias úmidos de chuva
ou em tardes serenas de violão.
Cada fato e cada escolha é nele contido.
Revelando assim, a silhueta do tempo
construindo uma história.

Munido dessas percepções,
o outro corpo que olha se deleita.
Satisfeito, sorri.
Pois quantos mistérios tem em mãos?
Quantos segredos passeiam
por entre as carícias de seus dedos?
E absorto em devaneios,
aprecia o aroma do instante
num demasiado encanto.

sábado, 26 de novembro de 2011

O Trágico Fim

Jardim Botânico - Curitiba, PR (03/06/10)

Existe um certa sutileza ao se pensar em começo e fim de momentos que surgem em nossas vidas. Por convenção e organização definimos datas para realizarmos trabalho ou ainda temos que respeitar o ritmo da natureza. Isso quer dizer que devemos certamente cumprir com os prazos estabelecidos para desenvolvermos uma atividade e que não podemos simplesmente colher o fruto antes do seu tempo. Mas agora vamos pensar sobre o conhecimento e sobre os sentimentos.
Quando eu estava no mestrado e em fase de defesa me veio esse pensamento: "Mas o que me define um mestre?" "Quando é que posso me considerar com tal título?" Infelizmente as convenções adotadas extrapolam os campos aos quais essas podem atuar. Pois essa sutil medida ou definição de começo e fim não se ajusta a uma fase de aprendizado nem ao envolvimento afetivo. Tudo bem, podemos dizer que as etapas que permitem tal rótulo de mestre foram cumpridas, afinal tiveram disciplinas, créditos realizados, exames e por fim a defesa da dissertação. Agora pensando na formação do intelecto, essa está longe de ser devidamente avaliada e constatada como atingida.

Vamos pensar agora em uma questão mais complexa. Quando é que se termina um laço? Como é que podemos dizer que é o fim? Esse é um outro erro ao qual ainda não se tem uma melhor adequação e que nos causa tanto sofrimento e dor.
O começo surge na distração. Quando menos esperamos, estamos envolvidos nos sorrisos e no jeito de olhar de outra pessoa. O tempo passa e algo, que também não sei ao certo, torna-se discrepante incompreensível e incômodo e a "única solução" é terminar o ciclo e por fim ao laço.
Quanta burrice e ingenuidade jogar tudo nas contas do tempo. Esse coitado é simplesmente usado como refúgio para o que deve-se encarar desde cedo. Usamos de forma indevida e desfavorável toda potência desse Deus que governa em nosso mundo de percepções. Um sentimento não respeita datas, ele é como uma nebulosa se dissipando em átimos numa série ininterruputa de instantes. Como ajustar nossas ações á esse movimento? Como permitir que dessa nebulosa surja uma estrela? Peço para nos distanciarmos dos conceitos e de longe olhar com calma para os fatos. Vamos de mãos dadas? Acompanhe meus singelos pensamentos.

domingo, 14 de novembro de 2010

Sobre o tempo de aprender

Bodegas y Viñedos Familia Cecchin - Mendoza - Argentina (08/07/10)

Ontem à noite, enquanto apreciava um vinho ao som de Romaria (letra de Renato Teixeira), fui tomado por algumas reflexões...

Lembrei-me de uma situação, mas todo o período também me veio à tona, em que num dia qualquer eu estava trabalhando na Zona Azul (em Poços não é parquímetro) e um coordenador da área veio até a quadra onde eu estava verificar se estava tudo correto, ou seja, estava exercendo sua função. Nós fiscais da Zona Azul éramos responsáveis por colocar (vender) os cartões de estacionamento nas principais ruas do centro da cidade e os coordenadores responsáveis por nos orientar, acompanhar nosso trabalho.

Foi uma fase muito interessante pra mim, mas dessa vez vou me atentar ao fato. O coordenador ali presente, que partilhava sua prosa, já era uma pessoa de grande cultura e me presenteava com histórias reflexivas tão aprazíveis (até coloquei uma nesse estilo ao final do texto). Eu apesar de meus limites, às ouvia com toda a atenção. E é justamente sobre esses limites que quero me referir nesse texto.

Enquanto me falava sobre o quanto gostava de Elis Regina, o coordenador mencionava a grande habilidade da cantora ao gravar seus discos, sempre com poucos ou nenhum erro durante o processo de gravação e brincando, dizia que os grupos de pagodes atuais (naquela época) deveriam gravar pelo menos umas dez vezes para ficar tão perfeito quanto Elis.

Eu estava longe de entender essa perfeição ao qual falava e para mim, as músicas eram todas iguais. Músicas boas são as que tocam em todos lugares, que fazem sucesso. Belo engano. O que é tangível ao gosto se salienta na posteridade.

Sempre que descubro uma forma de pensar e na medida em que o tempo passa as idéias vão ficando mais claras, tornando-se maduras, um contentamento me invade. Penso que para a música popular brasileira ter chegado até mim teve seu tempo (cerca de uns seis anos). Sendo esse necessário ou não, vejo o agora.

É assim a vida? Pois bem, outra vez.

Um velho homem sábio pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal em um copo d'água e bebesse.

_ "Qual é o gosto?" perguntou o velho homem sábio.
_ "Ruim" disse o aprendiz.

O homem, então, sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago. Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago, então o velho disse:

_ "Beba um pouco dessa água".

Enquanto a água escorria do queixo do jovem, o homem perguntou:

_ "Qual é o gosto?"
_ "Bom!" disse o rapaz.
_ "Você sente o gosto do sal?" perguntou o velho.
_ "Não" disse o jovem.

O homem então sentou ao lado do jovem, pegou sua mão e disse:

_ "A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Então, quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido das coisas.
Deixe de ser um copo. Torne-se um lago..."