quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Sigo cantando

Casa da Vó Lurdes - Santa Rita de Caldas, MG (06/11/2010)

Eis que surge o menino, carregando nos ombros um violão. Em uma das mãos segura uma bolsa que expressa seus tons de verde. Dentro dela existem valores e também seus demais pertences. Os valores combinam com as cores, porém muitos deles irão desertar.

No olhar do menino há grandes sonhos. Ele mal compreende a vida e o que o rege é sua intuição. Enquanto o vejo, o reconheço ao longe pois, de toda sua melodia só me sugere partes.

A sede do saber o envolve como uma áurea cintilante. Seria assim se o pudessem ver naquela tarde de domingo. Escolhas, desejos, deidades. O que muda é o que ocupa fortemente o espírito.

O menino segue com seu violão (vide voto), mas nem tudo é igual. Nem o homem e nem as águas do rio são as mesmas enquanto o homem lava seu rosto. Ambos se movimentam em um fluxo contínuo, cada parte é unica e nenhuma se separara. Ai! como isso é divino! É como uma música.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Sobre os caminhos que trilhamos

Toque toque pequeno, São Sebastião - SP (11/10/2010)

Será mesmo o superar-se mais forte do que qualquer amor? Reflexos desse último, ao que parece, me cessam o movimento e me impedem de acompanhar o ritmo da vida.

Vejo dois caminhos distintos que somente em desejos se cruzam. A solidão sim, é sempre companheira e nem por isso, triste é meu ser.

Cada escolha traz consigo uma fé. E a verdade paira sobre a certeza dos homens.
Só, viverei buscando momentos e para cada instante preservarei uma sensação. Serão como infinitos paraísos.

Sigo ainda com esperanças. Esperança de que um dia nos comuniquemos por olhares, pois cada palavra é um abismo de suposições. E a sua beleza será então a minha sintonia.

Oscilo entre as veredas de cada sinal deixado na areia. Onde chegarei? Somente o percurso é sensato. Me transforma a cada passo em direção a mim mesmo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Reflexões de Uma Pedra



Não sei por que estou aqui.
Simplesmente quando dei por mim eu era assim, um ser imóvel e pensante.
Percebo que é estranho pensar, mais estranho ainda é pensar que estou pensando.
Pois penso nas coisas que se passam, não sei o que são, mas apenas sei que passam.
Ora são carícias, que eu chamei de vento, e ora são lágrimas, que eu chamei de chuva.
Quando é claro é quente e quando é noite é silêncio.

Sou um ser imóvel e pensante.
O que eu sinto só eu sei. Não precisa de verdades.
O mundo é assim, seco, molhado. quente e frio. Uma parte é terra e a outra é vento.
Não havia nada além do céu até aquele olhar. Depois disso tudo mudou, pois assim eu sei que tudo passa, tudo muda.
Eu estava no meio do caminho quando me notaram.
E toda minha singularidade aflorou-se, pois também tenho uma história.

(Publicado Poeta de Gaveta VOLUME 20)