quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Reflexões de Uma Pedra



Não sei por que estou aqui.
Simplesmente quando dei por mim eu era assim, um ser imóvel e pensante.
Percebo que é estranho pensar, mais estranho ainda é pensar que estou pensando.
Pois penso nas coisas que se passam, não sei o que são, mas apenas sei que passam.
Ora são carícias, que eu chamei de vento, e ora são lágrimas, que eu chamei de chuva.
Quando é claro é quente e quando é noite é silêncio.

Sou um ser imóvel e pensante.
O que eu sinto só eu sei. Não precisa de verdades.
O mundo é assim, seco, molhado. quente e frio. Uma parte é terra e a outra é vento.
Não havia nada além do céu até aquele olhar. Depois disso tudo mudou, pois assim eu sei que tudo passa, tudo muda.
Eu estava no meio do caminho quando me notaram.
E toda minha singularidade aflorou-se, pois também tenho uma história.

(Publicado Poeta de Gaveta VOLUME 20)

domingo, 3 de outubro de 2010

Inevitável Saber

Machupicchu - Peru (18/07/2010)

E essa sede do saber que me extasia a boca! Quando inocente, chega a ser imposta e me embaraça a vista. Então, sigo caminhando por entre as linhas do intelecto, apenas me esbarrado no saber.
Já não pondero o que é certo ou verdade, o que é terno ou eternidade. Onde está meu interesse? Estará perdido em algum bar? Caído na calçada acompanhado de meus valores? Não, não é pra tanto. Só que as vezes me confundo ou me confundo, às vezes em que estou só.
O não saber é o que me cala a boca. É o que me convida a buscar nos outros tudo aquilo que nem se quer perdi.

sábado, 4 de setembro de 2010

A Arte Criadora

Flagrante em Puno - Peru. Em plena concepção (19/07/2010)

Julgamos o que é possível por meio de fatores que se relacionam de maneira coerente e que de alguma forma aparentam ser plausíveis para a razão, ou seja, estabelecemos métricas e parâmetros para distinguir entre o que é irrealizável ou não. Se não há razão não tem sentido, ou pelo menos, esse está aprisionado no saber.
Porém, há algo que escapa ao entendimento e despercebidos somos levados ao sentir. É ali que está a arte. Galgando o intelecto, deslizando-se no supra-real.
Somos todos artistas e assim, capazes de abraça-la. Caminhar de mãos dadas e deixar que seu ritmo flua assim como o movimento do universo. Transformados, somos capazes de enxergar tudo aquilo que até então era imperceptível em nós mesmos.
A vida é uma arte.